"O Colapso do SAAE: Quatro meses de falhas estruturais expõem os limites do saneamento nas cidades do Litoral Sul"
O que deveria ser o ano da retomada econômica e do fortalecimento do turismo no litoral sul do Espírito Santo
O que deveria ser o ano da retomada econômica e do fortalecimento do turismo no litoral sul do Espírito Santo transformou-se em um pesadelo logístico e político. Após uma sequência de colapsos no abastecimento de água que se estendeu do Réveillon à Semana Santa, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itapemirim e Marataízes (SAAE) enfrenta a sua maior crise de credibilidade, alimentando debates sobre a falência do modelo de autarquia pública e a possível concessão dos serviços.
A crise não foi um evento isolado, mas uma sucessão de falhas que atingiram os principais pilares do calendário local, do Réveillon ao Carnaval, a justificativa oficial foi o "excesso de demanda". Bairros periféricos e balneários turísticos ficaram dias sem pressão nas redes. Em março, durante a 116ª Festa das Canoas, o rompimento de uma adutora principal paralisou o fornecimento em bairros do interior e áreas centrais dos municípios de Itapemirim e Marataízes.
Neste último feriado de abril, moradores relataram até quatro dias consecutivos de torneiras secas. O desabafo geral coincide com a entrada em vigor do reajuste tarifário de 4,30%. no valor da água e de 80% no esgoto. "Pagamos por Ar". A indignação dos moradores atingiu o ápice neste feriado de abril. Com a entrada em vigor do reajuste nas tarifas, a sensação de injustiça é generalizada.
"São quatro dias sem uma gota d'água em casa, as vezes cai um pouquinho de manhã e ficamos o restante do dia sem água. O que chega na torneira é um barulho de ar, mas o relógio gira e a conta vem mais cara todo mês. Tivemos que adaptar o almoço de Páscoa da família porque não tinha como lavar a louça nem os banheiros", lamenta Maria das Graças, moradora do bairro Filemon Tenório.
Já em Itapemirim, a situação não é diferente. Comerciantes relatam que a falta de água afeta diretamente o preparo de alimentos e o atendimento aos turistas. "É uma vergonha para uma cidade que vive do turismo não conseguir garantir o básico. O SAAE diz que está em obras, mas quem paga o prejuízo do cliente que vai embora?" questiona um dono de restaurante de Itaipava.
Em nota oficial de esclarecimento, o SAAE de Itapemirim e Marataízes trouxe novos elementos técnicos para a crise. Segundo a autarquia, uma intervenção de "alta complexidade" está em execução na Avenida Beira Rio, no centro do município.
A nota justifica que a finalização dos serviços, descritos como essenciais para a melhoria do sistema , está impossibilitada pela elevação do nível do rio. Mesmo com o uso de bombas de sucção, as condições atuais não permitem a conclusão com segurança. O SAAE admitiu os transtornos no tráfego e afirmou que as equipes monitoram a situação para intervir assim que as condições climáticas e do rio permitirem.
Apesar das explicações técnicas vindas do SAAE de Itapemirim e Marataízes, o cenário em Marataízes permanece cercado de incertezas. A reportagem solicitou formalmente uma nota da Prefeitura de Marataízes para esclarecer as falhas recorrentes e o plano de investimentos para 2026, porém, até o fechamento desta matéria, o Executivo não enviou resposta.
Nos bastidores, a narrativa se divide. De um lado, críticos da atual gestão de Marataízes falam que a falta de investimento é proposital e politica, criando na população o desejo pela privatização. De outro, técnicos defendem que a autarquia está asfixiada pelas metas de universalização do novo Marco Legal do Saneamento, sem capacidade financeira para as obras exigidas até 2033.
Continuamos com o espaço aberto para que a Prefeitura de Marataízes se manifeste sobre o desabastecimento nos bairros afetados durante o feriado da Páscoa.

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