Associações se mobilizam na Câmara de Itapemirim em defesa da Lagoa Guanandy e moradores afetados
A mobilização continua por tempo indeterminado, buscando conciliar de forma justa a preservação da Lagoa Guanandy com o respeito à história e à subsistência da população local.
Em um movimento de forte mobilização social, representantes da Associação Lagoa Guanandy (ALGA) e da Associação de Moradores de Lagoa do Gomes (AMOLOG) reuniram-se na Câmara Municipal de Itapemirim. O encontro teve como objetivo central unir forças e cobrar providências urgentes diante dos recentes impactos ambientais, sociais e econômicos que vêm afetando a região e as famílias locais.
A união das entidades surge como uma resposta direta à crescente insegurança que atinge os moradores do entorno, além de trabalhadores e pescadores que dependem economicamente da lagoa.
O estopim para a mobilização foi uma recente e tensa operação de fiscalização ambiental realizada na Área de Proteção Ambiental de Guanandy (Apagua). Uma força-tarefa liderada pelo Ibama, com a participação do Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), executou a demolição de imóveis irregulares construídos na localidade de Gomes.
Segundo os órgãos ambientais, a legislação permite a demolição imediata ao constatar edificações que causem danos à vegetação de restinga e de Mata Atlântica em terras públicas de preservação. A operação identificou 19 pontos com irregularidades e resultou na derrubada de oito imóveis que não estavam configurados como residências habitadas. Nos locais onde já havia moradores estabelecidos, os responsáveis foram autuados e notificados administrativamente.
A ação, contudo, gerou forte indignação e confrontos. Os proprietários alegam que as demolições ocorreram de forma abrupta, sem prazo prévio ou notificações adequadas. Afirmam ainda que existiam iniciativas em andamento para tentar a regularização fundiária das moradias da região e que vários moradores buscavam resolver a situação na Justiça quando as máquinas chegaram.
Diante dos prejuízos sociais, da desestabilização da comunidade e da apreensão com novas ações, as lideranças comunitárias reforçaram no legislativo municipal a necessidade de uma atuação conjunta e humana por parte do poder público. O foco principal do grupo está pautado em quatro pilares fundamentais, transparência total sobre os critérios das demolições e o futuro da ocupação na região, equilíbrio na aplicação das leis, garantindo que o combate ao crime ambiental não atropele os direitos humanos, acesso público e claro a relatórios, mapeamentos e projetos de regularização e ações estruturadas que garantam a preservação da lagoa, mas resguardem a dignidade e a moradia das famílias atingidas.
"Permanecemos firmes na busca por esclarecimentos. O meio ambiente e a dignidade das pessoas atingidas precisam ser respeitados com a mesma prioridade", destacaram as lideranças em manifesto conjunto.
O encontro representou um avanço significativo nas negociações locais. As associações registraram e agradeceram a abertura para o diálogo e o apoio recebido por parte do Prefeito Geninho e do presidente da Câmara Municipal, Tiago Leal. A expectativa das entidades é que esse suporte político se reverta em intermediação junto aos órgãos federais e estaduais (Ibama/Iema), garantindo apoio social e assessoria jurídica para a comunidade do Gomes.
A ALGA e a AMOLOG informaram que seguirão acompanhando de perto cada desdobramento das conversas e fiscalizando o cumprimento das promessas de apoio. Para as associações, o momento demonstra que a união comunitária é a ferramenta mais eficaz para a garantia de direitos.
A mobilização continua por tempo indeterminado, buscando conciliar de forma justa a preservação da Lagoa Guanandy com o respeito à história e à subsistência da população local.
Comentários (0)