TENSÃO NO SUL DO ES: Operação de demolição na Lagoa Guanandy (Gomes) gera confrontos, bloqueios e forte reação política em Itapemirim
O ponto alto da tensão ocorreu nas vias de acesso à Lagoa Guanandy. Revoltados com a chegada dos tratores para derrubar residências e benfeitorias, os moradores fecharam ruas estratégicas utilizando pneus, pedaços de madeira e entulhos, ateando fogo logo em seguida. Uma densa cortina de fumaça preta tomou conta do local e podia ser vista de longe.
Uma operação conjunta de fiscalização e demolição realizada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) transformou a região da Lagoa Guanandy (conhecida popularmente como Lagoa do Gomes), em Itapemirim, em um verdadeiro cenário de guerra na tarde desta sexta-feira (22).
A ação, que cumpre ordens de erradicação de construções e loteamentos irregulares na Área de Proteção Ambiental (APA), desencadeou uma onda de protestos inflamados por parte dos moradores, além de provocar um duro embate político na região.
O ponto alto da tensão ocorreu nas vias de acesso à Lagoa Guanandy. Revoltados com a chegada dos tratores para derrubar residências e benfeitorias, os moradores fecharam ruas estratégicas utilizando pneus, pedaços de madeira e entulhos, ateando fogo logo em seguida. Uma densa cortina de fumaça preta tomou conta do local e podia ser vista de longe.
Vídeos obtidos pela reportagem registram o momento exato em que viaturas da Fiscalização Ambiental do IEMA e do IBAMA tentam avançar sob forte hostilidade da comunidade. Motociclistas e pedestres cercaram os veículos oficiais protestando aos gritos de "covardia" e "queremos justiça".
(Clique aqui para assistir o vídeo:) https://youtube.com/shorts/YFqydrp0tb8?feature=share
A tensão escalou ainda mais com a chegada de uma retroescavadeira pesada, contratada para executar as demolições das estruturas em alvenaria. "O povo constrói com o suor do próprio bolso, o IEMA nunca aparece para dar assistência ou orientar preventivamente, e agora vêm com o IBAMA para derrubar tudo?", desabafou um morador sob forte emoção.
O clamor das ruas ecoou rapidamente no cenário político. O vereador Tiago Leal usou o espaço público e suas redes para disparar duras críticas contra a postura do órgão ambiental do Governo do Estado do Espírito Santo. O parlamentar classificou a atuação como "truculenta" e apontou o dedo para o que chamou de falha crônica de gestão e falta de fiscalização prévia.
"O que assistimos hoje na Lagoa Guanandy é o resultado de uma omissão histórica do IEMA. O órgão passa anos de braços cruzados, sem fiscalização preventiva, permitindo que as pessoas comprem terrenos e invistam o dinheiro de uma vida inteira. Aí, depois que as construções estão em andamento, aparecem com força policial e tratores para destruir o patrimônio dos cidadãos, sem qualquer mediação social ou aviso prévio", declarou o vereador.
Tiago Leal cobrou a suspensão imediata dos atos demolitórios e a abertura urgente de uma mesa de diálogo entre o poder público e as famílias afetadas na localidade do Gomes.
A operação traz à tona um debate antigo e complexo na região costeira do Sul do Estado, o limite entre a aplicação rígida das leis ambientais e o impacto social nas comunidades locais. IEMA e IBAMA sustentam que a fiscalização e a retomada das áreas são fundamentais para conter o avanço do desmatamento e do parcelamento ilegal do solo em Unidades de Conservação protegidas por lei, visando salvaguardar o ecossistema da Lagoa Guanandy.
Moradores e defensores jurídicos argumentam que falta transparência e critérios humanos nas ações. A defesa de algumas famílias já estuda entrar com pedidos de liminar na Justiça para paralisar as demolições, alegando o direito à ampla defesa e a flagrante falta de fiscalização anterior por parte do Estado, que acabou permitindo o início das obras.
Até o fechamento desta matéria, o clima na região da Lagoa do Gomes continuava instável, com a presença de equipes de segurança e equipes ambientais monitorando os manifestantes e os focos de incêndio. O espaço segue aberto para os posicionamentos oficiais do IEMA e do IBAMA.
(Clique aqui para assistir o vídeo:) https://youtube.com/shorts/bFscS4Owxdg
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