CGU inicia auditoria em Cachoeiro para apurar supostas fraudes em obras do Parque de Exposições

Denúncias apontam uso de fotos da internet na prestação de contas; caso pode evoluir para investigação da Polícia Federal.

CGU inicia auditoria em Cachoeiro para apurar supostas fraudes em obras do Parque de Exposições
CGU inicia auditoria em Cachoeiro para apurar supostas fraudes em obras do Parque de Exposições (Foto: Reprodução)

A Controladoria-Geral da União (CGU) inicia, na próxima segunda-feira, uma auditoria presencial em Cachoeiro de Itapemirim para investigar possíveis irregularidades na reforma e ampliação do Parque de Exposições. A fiscalização foca na gestão do ex-prefeito Victor Coelho e surge após denúncias graves sobre a autenticidade dos documentos apresentados para justificar o uso de recursos públicos. O ponto central da investigação é uma suposta fraude documental. Relatos preliminares indicam que a prestação de contas da obra teria sido instruída com fotografias de canteiros de obras retiradas da internet, em vez de registros reais do local.

Se confirmada, a prática caracteriza tentativa de enganar os órgãos de controle para liberar pagamentos por etapas que podem não ter sido executadas conforme o contrato. Durante a permanência no município, os auditores federais realizarão um pente-fino que inclui, confronto entre o projeto aprovado e o que foi efetivamente construído, verificação se os valores pagos correspondem ao material e mão de obra utilizados e auditoria no fluxo de caixa entre a prefeitura e a empresa executora.

A CGU não possui poder de polícia, mas seus relatórios são o alicerce para ações maiores. Caso as evidências de crime contra a administração pública sejam robustas, o dossiê será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal.

Especialistas alertam que o cenário é delicado. "A utilização de provas falsas em sistemas de controle federal não é apenas um erro administrativo, é um crime que pode levar à inelegibilidade e à prisão dos envolvidos", afirma o consultor em gestão pública Ricardo Figueiredo consultado pela reportagem.

Diante dos indícios já levantados, há a possibilidade de que a Polícia Federal seja acionada caso a auditoria confirme irregularidades mais robustas, especialmente se houver indícios de fraude, superfaturamento ou pagamento por serviços não executados.

Esse tipo de desdobramento não é incomum. Em diferentes partes do país, auditorias da CGU já resultaram no encaminhamento de relatórios para investigação policial quando constatadas evidências que extrapolam a esfera administrativa.

O Parque de Exposições não é o único alvo. A gestão de recursos em Cachoeiro tem sido monitorada de perto pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES), que já havia apontado falhas em outros setores, como o contrato de iluminação pública.

A prefeitura ainda não se manifestou oficialmente sobre os detalhes da auditoria que começa na segunda-feira. O espaço segue aberto para o posicionamento dos citados.

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