Igreja Matriz de Itapemirim completa seis meses de interdição e aguarda liberação de verbas
O silêncio tomou conta da Vila de Itapemirim. Há exatos seis meses, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Amparo, marco arquitetônico e religioso do século XIX, mantém suas portas fechadas por tempo indeterminado.
O silêncio tomou conta da Vila de Itapemirim. Há exatos seis meses, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Amparo, marco arquitetônico e religioso do século XIX, mantém suas portas fechadas por tempo indeterminado. O que deveria ser um ponto de convergência cultural e fé tornou-se um monumento à espera de intervenção estatal, cercado por incertezas e por um projeto de restauro que soma mais de R$ 2,2 milhões.
Desde a interdição oficial, em outubro de 2025, o acesso ao templo foi restringido pela Defesa Civil Municipal. O diagnóstico de infiltrações severas, umidade crescente e a fragilidade crítica das estruturas de madeira que sustentam o telhado e o forro.
Tombada pelo Estado em 2011, a igreja não é apenas um prédio, mas um repositório de arte sacra com peças que ultrapassam três séculos de história. A preocupação atual de historiadores e fiéis recai sobre a preservação desse acervo diante da deterioração progressiva do ambiente.
A Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, responsável pela gestão do imóvel, busca agora o apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) para viabilizar o orçamento necessário. O valor de R$ 2.278.598,15 é o montante pleiteado para cobrir a reforma completa da cobertura e do forro.
Em nota enviada à redação, a Secult confirmou que a documentação, entregue em março deste ano pela Cáritas Diocesana, encontra-se sob análise técnica na Gerência de Memória e Patrimônio Cultural. Segundo a secretaria, a liberação dos recursos depende da conclusão desta etapa processual.
"Após a conclusão dessa etapa e a devida instrução processual, será possível avançar para a formalização do termo de fomento e o repasse dos recursos, permitindo à instituição a contratação dos serviços e o início das obras."
A situação atual traz à tona questionamentos sobre a eficácia de projetos anteriores. Em 2024, o templo foi listado como uma das prioridades de restauração em uma parceria entre a Cáritas Diocesana e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Até o fechamento desta reportagem, o Iphan não respondeu aos questionamentos sobre quais intervenções foram efetivamente concluídas naquele período e por que a estrutura deteriorou-se a ponto de exigir uma nova interdição um ano depois.
Concluída em 1855, a Matriz de Itapemirim é um testemunho vivo da colonização do Sul do Espírito Santo. Para a comunidade local, a interdição representa não apenas a perda de um espaço litúrgico, mas o esvaziamento da identidade da Vila. Enquanto a burocracia segue seu rito, a comunidade aguarda um sinal de que o tempo não será o responsável final por apagar parte da história capixaba.
Localizada na Vila de Itapemirim, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Amparo foi concluída em 1855 e abriga imagens históricas com mais de 300 anos.
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